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15 de junho de 2021

Confiança do empresariado paulistano regride ao patamar da metade do ano passado, afirma FecomercioSP


Assim como no segundo trimestre de 2020, pessimismo dos empresários aumentou significativamente em maio; para Entidade, é hora de rever o planejamento financeiro

 

O ritmo lento da vacinação, a continuidade das medidas de restrição à circulação e o cenário ainda incerto da economia fazem com que a confiança do empresariado da cidade de São Paulo esteja em queda livre. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por exemplo, voltou ao patamar de agosto de 2020, fechando o mês de maio em 83,8 pontos – estava em 74,8 naquele mês do ano passado. O número representa uma queda de 6,5% em relação a abril, quando já havia registrado retração de 9%.

Já o Índice de Expansão do Comércio (IEC), que mede a propensão do empresariado a investir, caiu 5,9% em maio, logo após uma queda expressiva de 7,6% em abril. O indicador – que já esteve em 91,6 pontos em março – está em 79,6 pontos hoje, o seu menor nível em sete meses.

Para a Federação, o declínio significativo da confiança do empresariado paulistano se explica também por fatores como a perda do poder de compra das famílias, o número crescente de desempregados e a pressão inflacionária sobre muitos produtos – principalmente de alimentos e bebidas. Diante de tudo isso, a tendência é que eles deixem momentaneamente de investir nos seus negócios, esperando um sinal da retomada econômica.

As quedas são ainda mais expressivas fazendo comparações com maio de 2020, quando, vale dizer, o País já estava mergulhado na crise do covid-19, e via os primeiros impactos negativos atingirem a economia: no caso do ICEC, o patamar atual é 10,6% menor do que naquele mês (93,9 pontos), quando também começou uma queda vertiginosa que se estenderia até junho. Na verdade, o indicador jamais voltou ao nível de abril de 2020 (118,7 pontos), apesar do ensaio de uma recuperação no segundo semestre.

Por sua vez, o IEC encolheu 9% em relação a maio de 2020, quando marcava 87,5 pontos. A curva do indicador é a mesma do ICEC: naquele mês do ano passado, estava em uma queda livre que só voltaria a subir em setembro. A pontuação atual é um retorno àquele nível.
Investimentos e contexto sustentam quedas
Os três indicadores que compõem o ICEC sofreram forte queda em maio, assim como já tinha sido em abril: o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), que pergunta ao empresariado da cidade sobre a situação momentânea em relação à economia, saiu dos 60,9 para os 53,4 pontos neste mês – o que representa uma retração de 12,4%. No mês passado, a queda já havia sido de 10,3%. Outro sinal do momento de pessimismo é que, mesmo na comparação com maio de 2020, quando o contexto já era ruim, a pontuação de hoje caiu 25,2%.

O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), por sua vez, caiu 5,4%, pulando dos 125,4 para os 118,7 pontos hoje – o pior resultado desde julho de 2020 (99,1 pontos). A pesquisa ainda mostra que os empresários estão cautelosos quanto aos investimentos: depois de cair 5,4% em abril, o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), que questiona os entrevistados sobre o quanto estão dispostos a investir nos negócios, retraiu mais 3,8% agora, fechando o mês com 75,4 pontos. É a pontuação mais baixa desde agosto de 2020 (69,8 pontos).

A curva descendente no Índice de Expansão do Comércio (IEC), por sua vez, também foi puxada pelo desempenho negativo das suas duas variáveis: Expectativas para Contratação de Funcionários (ECF) caiu 6,6%, depois do declínio de 8% em abril. Da mesma forma, o Nível de Investimento (NIE) dos negócios voltou ao nível de setembro de 2020, fechando maio em 60 pontos (queda de 4,7% na comparação a abril). Em outras palavras, os empresários estão evitando contratar e investir nos negócios.

O que fazer agora?
Planejamento financeiro. Essa é a principal orientação da FecomercioSP aos empresários neste momento. Com o aumento da inflação, é possível que os custos aumentem, fazendo com que seja necessária uma gestão mais próxima de todos os fatores que compõem o negócio.

Isso passa por reavaliar riscos e calcular os possíveis aumentos de custos, bem como ajustar os cronogramas de pagamentos e recebimentos, além dos investimentos.

 

Também é um momento para rever os preços de produtos e/ou serviços ofertados e, se for o caso, elaborar estratégias para atrair os consumidores – como melhores formas de pagamento.

É também hora de ficar mais perto da gestão do fluxo de saídas e entradas de mercadorias. O Índice de Estoques (IE) caiu novamente em maio (-1,6%), apontando 99,1 pontos. É a primeira vez que o indicador cai abaixo da casa dos 100 desde setembro de 2020, o que indica que há cada vez mais inadequação dos empresários em relação aos estoques.

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