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28 de setembro de 2019

Mercado consumidor formado por deficientes auditivos tem grande potencial a ser explorado pelas empresas


CEO e cofundador da Hand Talk, Ronaldo Tenório, trata da falta de comunicação em entrevista

As empresas ainda não perceberam o potencial do mercado consumidor formado pelos deficientes auditivos. Essa é a avaliação do CEO e cofundador da startup Hand Talk, Ronaldo Tenório.

Tenório afirma que esse mercado formado por aproximadamente 9,7 milhões de pessoas, o que representa 5,1% da população do País, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é pouco explorado em razão da falta de comunicação entre ouvintes e deficientes auditivos.

 “O que acontece é que as empresas não têm acessibilidade: 80% dos surdos não conhecem o português, e a maioria dos ouvintes não conhece Libras [Língua Brasileira de Sinais]. É como se as empresas estivessem com as portas fechadas para os surdos por não entenderem que eles precisam da língua de sinais para obter informação. Grandes empresas brigam por um mercado tão menor do que esse e esquecem que existem milhares de pessoas que também querem consumir e ter acesso à informação. As empresas pioneiras estão saindo na frente”, diz.

Empreendedorismo social
A ideia do aplicativo Hand Talk surgiu em 2008 como solução para um trabalho acadêmico e apenas quatro anos depois que o projeto começou a ganhar corpo com a proposta do sócio da agência de publicidade na época. O app foi lançado em 2013 após um ano de desenvolvimento, e, com ele, nasceu o Hugo, um intérprete 3D que tem expressões faciais e corporais para facilitar a comunicação.

Além do aplicativo gratuito, um plugin foi desenvolvido para tornar os sites acessíveis em língua de sinais. Segundo Tenório, o aplicativo tem mais de 2 milhões e meio de downloads e traduz mais de 33 milhões de palavras por mês. Contudo, o que sustenta mesmo o negócio são as centenas de sites acessíveis em Libras.

“Em empreendedorismo social, é preciso cuidado para não ser mercenário nem missionário. Não adianta o negócio ter grande impacto, mas não trazer receita para que ele se mantenha, assim como de nada vale uma empresa social preocupada apenas com o retorno financeiro. Deve haver equilíbrio entre impacto social e retorno financeiro”, conclui o fundador da Hand Talk.

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